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Radio Cooperativa

Ata do Prêmio Gabo 2020, categoria de Reconhecimento à Excelência, concedido à equipe de jornalistas da Rádio Cooperativa do Chile

O Conselho Reitor da Fundação Gabo, criada por Gabriel García Márquez, o qual é integrado por Carlos Fernando Chamorro (Nicarágua), Germán Rey (Colômbia), Héctor Feliciano (Porto Rico), Jon Lee Anderson (Estados Unidos), Leila Guerriero (Argentina), María Teresa Ronderos (Colômbia), Martín Caparrós (Argentina), Mónica González (Chile), Natalia Viana (Brasil), Rosental Alves (Brasil), Sergio Ramírez (Nicarágua), reunido virtualmente nos dias 26 de setembro e 10 de outubro de 2020 sob a presidência de Jean-François Fogel (França), decide outorgar o Prêmio Gabo de Jornalismo na categoria “Reconhecimento à Excelência”, na sua oitava edição, à equipe de jornalistas da Rádio Cooperativa do Chile.

O grupo de repórteres, apresentadores e editores desta emissora privada de caráter nacional do Chile obtém o reconhecimento por um trabalho jornalístico em equipe  da mais alta qualidade que tem feito uma contribuição relevante para a história da democracia chilena, por sua capacidade de oferecer, dia após dia, informação e análise de forma verdadeira, oportuna, pertinente, factual, longe do sensacionalismo e com um claro espírito de serviço público. Seu pilar é o jornal El Diario de Cooperativa, que, há mais de quatro décadas e através das diversas crises pelas quais o país tem atravessado, conquistou a plena confiança do público, ao transitar da resistência jornalística com a voz da verdade em tempos de ditadura, ao básico, mas indispensável rigor informativo, equilibrado e imparcial, desde a recuperação da democracia em 1990. Suas vozes e histórias fazem parte do cotidiano dos chilenos, o que fala da relevância do jornalismo que esta equipe de profissionais da comunicação jornalística tem exercido com inteligência e solidez, ao se focar em informar, apurar os fatos e oferecer com tom sereno um pacote de informações diárias confiáveis, apesar das pressões e das crises. Encontramos grande valor neste tipo de jornalismo, em um momento em que cresce a consciência sobre os riscos gerados pelo avanço da desinformação organizada em meio à confusão das redes e plataformas digitais e da polarização política das sociedades.

É a primeira vez que o prêmio instituído em memória do nosso fundador Gabriel García Márquez é entregue na categoria de excelência ao radiojornalismo. Não é por acaso que isso ocorra quando atravessamos por uma grave crise sanitária, social e econômica causada pela pandemia global do Covid-19 e quando os ecos das manifestações e turbulências políticas ainda ressoam em muitos países latino-americanos. Nesta época de grandes desafios, as rádios dos países ibero-americanos têm redobrado seus esforços e têm se destacado por prestar um serviço vibrante e atual aos seus ouvintes, enquanto muitos dos seus jornalistas se arriscam quando saem às ruas em busca de informações para os cidadãos.

Esta é a segunda vez que o Prêmio Gabo à Excelência Jornalística é atribuído a uma equipe e não individualmente. Em nome dos jornalistas da Rádio Cooperativa, o prêmio 2020 será concedido aos 35 jornalistas que atualmente integram seu Departamento de Imprensa, os quais se destacaram neste momento histórico pelo tratamento informativo credível, criterioso e consistente da informação implantado desde outubro de 2019, quando no Chile, se iniciou a detonação social a qual após um ano, levou à convocatória inédita de uma Convenção Constituinte, assumindo paralelamente, além disso, desde março de 2020, uma cobertura impecável dos acontecimentos e efeitos da grave crise provocada pela pandemia do coronavírus.

Este prêmio que os integrantes do Departamento de Imprensa irão receber, também se refere a um processo para o qual contribuíram outras áreas e diferentes gerações da Rádio Cooperativa, e que tem mostrado vigorosamente, desde os anos 70, como o jornalismo baseado no estrito respeito aos fatos, se torna uma ferramenta eficaz para salvar vidas e defender a liberdade. Assim, premiamos a um grupo de jornalistas que souberam ser coerentes com esta tradição ética de informação de serviço público, no âmbito de uma emissora de rádio comercial substancialmente financiada com publicidade, contribuindo de forma decisiva para a construção da sua imagem de emissora de rádio pluralista e de notícias, de grande ascendência nacional e regional, que tem acompanhado a história do Chile, raízes que se acentuaram ao longo dos anos. Talvez por isso, em meio à pandemia, foi fácil para eles assumirem de novo a tarefa de fazer um jornalismo confiável que tivesse como objetivo proteger a saúde e a vida dos chilenos.

Outro fato que deve ser destacado e reconhecido é o protagonismo que as mulheres têm desempenhado na equipe jornalística da Rádio Cooperativa. El Diario de Cooperativa, o jornal que vai ao ar até hoje em três horários com a apresentação principal de Sergio Campos, teve como primeira diretora a jornalista Delia Vergara Larraín. “O custo que tivemos que pagar foi o de saber que corríamos perigo, nos sentindo constantemente vigiados e fazendo nosso trabalho sempre empurrando o limite do permitido. Nós nos acostumamos a viver em perigo. Foi uma luta árdua e constante pela sobrevivência”, disse ela há alguns anos. Além de Delia, por lá passaram grandes jornalistas como Manola Robles e Patricia Politzer, para dar lugar a novas gerações onde se destacam Verónica Franco, Paula Molina, Paula Bravo e tantas outras mais. Para todas elas, a história de sobrevivência e mística do projeto jornalístico não é apenas uma lembrança. Elas sabem que os maravilhosos estúdios que a rádio teve -e onde algum dia se apresentaram artistas do patamar de Louis Amstrong, Nat King Cole e Pedro Vargas- tiveram que ser vendidos em 1977, quando o regime da ditadura quis sufocá-la e silenciá-la para sempre. Não conseguiu. Naqueles tempos tão difíceis, todos os seus jornalistas aceitaram um caminho perigoso e austero: sobreviveram a fechamentos (alguns muito longos), a interventores que revisavam as matérias antes de emiti-las, e driblaram a censura com coragem e engenhosidade. Foi então que se posicionou a frase que ainda marca o jornal: “Você tem direito de saber a verdade, e a verdade está nos fatos”.

Este trabalho foi destacado em uma data histórica para o Chile pelo jornal americano The New York Times. Por ocasião do plebiscito de 5 de outubro de 1988, que pôs fim à ditadura, e dedicou um extenso artigo – “Os jornalistas da Cooperativa: os Cães Guardiões do Ar atrás dos calcanhares de Pinochet” – contando como a equipe de imprensa engenhou-se para armar sua própria contagem de votos com repórteres, correspondentes e estudantes.

Finalmente, com este prêmio, a Fundação Gabo procura também destacar o papel que as pequenas e grandes emissoras de rádio de línguas espanholas, portuguesa e línguas nativas desempenharam este ano, das emissoras indígenas e mineiras, passando pelas comunitárias, juvenis, comerciais e universitárias, até as públicas e comerciais. Um ano de serviço que faz parte de uma história já quase centenária de contribuições à sociedade. É muito promissor dar uma olhada e ver como eles foram digitalizados, promovendo uma inovação que afeta diretamente a qualidade da informação que é entregue ao público. As narrativas em podcast, a diversificação das formas de participação da cidadania, as coberturas jornalísticas em tempo real, a proximidade com a convergência e as linguagens transmídia ultrapassam fronteiras para impulsionar até mesmo a pequenas emissoras que crescem com inteligência e coragem nos lugares mais díspares dos países ibero-americanos.

Os jornalistas integrantes do Departamento de Imprensa da Rádio Cooperativa são: Oscar Kosucht Pastén Ramírez, diretor de Imprensa e Programas; Eugenio Rodrigo Sierralta Bravo, editor geral de Imprensa; Verónica Irene Franco Montecinos, subeditora geral e apresentadora; Sergio Alfredo Campos Ulloa, apresentador de programas; Rodrigo Vergara Muñóz, editor diário e apresentador; Rafael Alejandro Pardo Velásquez, editor de imprensa; Paula Bravo Concha, jornalista e apresentadora; Paula Mariela Molina Tapia, jornalista e apresentadora; Claudia Kelly Fuentes, coordenadora de produção jornalística; os jornalistas Jorge Fernando Espinoza Cuellar, Álvaro Lozano Pérez, Paola Elizabeth Aguillon Espinoza, María Paz López Carreño, Patricio Andrés Chacur Cantin, Gonzalo Alonso Aguirre Alarcón, María José Pizarro Cofre, Felipe Andrés Gallegos Vega, Jeans Claude Penjean Díaz, Kassandra Widemann Gutiérrez, Valentina Paz Godoy Borquez, Francisca Andrea Canseco Cruz, Priscilla Alejandra Baeza Garcés, María Soledad Cortés Salinas, Francisco Sebastián Becerra Pizarro, Luis Felipe Cofre Muñóz e Mariano Ignacio Reyes Caceres; os correspondentes multimídia Carola Andrea Chávez Barahona, Claudio Patricio Arévalo Villalobos, Jaime Rodrigo Morales Amaya, Dayanne Carolina Marquez Calle e Jose Luis Pérez Flores; Gonzalo Ignacio Araya Santana, editor de Regiões multimídia; os correspondentes multimídia Cristofer Jesús Espinoza Quiroz, Jessica Daniela Esquivel Ponce e Nicolás Ignacio Urzua Bravo;  Mauricio Jorge Bustamante Postel, condutor.

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